A feira de Antiguidades da Benedito Calixto

A feirinha da Benedito faz parte da minha história como colecionador e negociador de antiguidades e artigos de luxo e decoração. Não consigo imaginar a minha vida se não fosse por essa praça, no coração de uma zona linda da cidade de São Paulo. Essa cidade é uma coletânea de feirinhas de arte. Fora as feiras anuais, como a da Pompéia, do Brooklin ou da Vila Madalena, há feiras semanais famosas, como a do MASP, a da Praça da República, a do Bixiga ou a da Liberdade. Mas talvez nenhuma delas exemplifique tão bem os versos do “Poeta dos Escravos” quanto a feira da praça Benedito Calixto, em Pinheiros.

Ponto de referência cultural, a “Benedito” é frequentada por um público um pouco mais exigente, formado por jovens e idosos, famílias e crianças, brasileiros e muitos estrangeiros, artistas, decoradores e desocupados. Gente de todos os tipos que deixa a feirinha de sábado com um clima feliz, descontraído, iluminado e extremamente cosmopolita.

A história da feira começa em 1985, quando um grupo de amigos que lutava pela reforma da praça e por sua utilização para lazer e cultura, resolve fundar a Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto e, com ela, a feira. E assim numa área de 4.500 m2, dos quais cerca de 40% são de área verde, instalaram-se de imediato dezenas de barracas que vendiam artesanato, antiguidades, roupas, discos, livros, brinquedos, louças, móveis e diversas outras coisas, cujo sucesso foi tanto que hoje as barracas passam de trezentas, e muitos galpões foram criados ao seu redor para abrigar mais expositores. Eu estava lá desde o começo!

Também graças ao sucesso da feira, ali surgiram inúmeras lojas de decoração e artesanato – algumas das melhores da cidade, além de uma série de bares e restaurantes, capitaneados pelo Consulado Mineiro, pioneiro ao abrir suas portas ali, em 1991.

Podemos afirmar que o ponto forte da feira, como em muitas outras, são as antiguidades. Entre cristais, louças, talheres e abajures, podemos encontrar antiqüíssimas máquinas fotográficas, pingüins de geladeira, garrafas de crush, jarras plásticas em formatos de abacaxi, óculos dos mais diversos tipos e por aí vai.

O destaque desta parte da feira fica com a barraca do “Museu da Voz”, criado por Jorge Narciso Caleiro Filho e pelo jornalista Luiz Ernesto Kawall (que, aliás, foi colega de meu pai) e que reúne um acervo de mais de 4 mil vozes gravadas, incluindo depoimentos de Santos Dumont e Thomas Edison, declamações de Cora Coralina, pronunciamentos de Adolf Hitler e de Indira Gandhi e mesmo uma gravação da atriz alemã Marlene Dietrich cantando “Luar do Sertão” em português. O museu funciona dentro do apartamento do jornalista na própria praça, mas a barraca que o representa, uma das pioneiras da feira, está nela todo sábado, há mais de 20 anos.

Outra coisa que chama a atenção de adultos e crianças por ali são algumas barracas que vendem brinquedos de todas as idades. São bonecos de personagens ou super-heróis, carrinhos, jogos, robôs, gênius, ataris, autoramas, telejogos e uma infinidade daquelas coisas que marcaram a infância de todos nós.

Mas nem só de antiguidades vivem as barracas e por lá podemos encontrar, entre centenas de outras opções, as bonequinhas de pano da Ana Mainieri, as deliciosas e criativas roupas da Vera Verão, as sedas pintadas à mão da Marlene, as marchetarias do Carlos Alberto Martins, as luminárias artesanais do Marco, as incríveis máscaras do José Toro-Moreno e, claro, a barraca do André, querido amigo que, depois de 15 anos de feirinha, mudou de ramo, mas por precaução ou apego deixou seus incensos, produtos esotéricos e peças balinesas, tailandesas e indianas nas mãos do Eduardo, no mesmo ponto.

Uma outra coisa que diferencia a feira das demais é o projeto “Autor na Praça”. O projeto, cuja idéia básica é a de aproximar os escritores do público através de palestras, bate-papos e tardes de autógrafos em plena praça, surgiu há 12 anos da iniciativa coletiva do produtor cultural Edson Lima, do poeta e jornalista Fred Maia, do designer gráfico Marcelo Max, do jornalista Mouzar Benedito e do escritor e dramaturgo Plínio Marcos, que foi o primeiro a se apresentar, acabou se tornando o padrinho do projeto e, após sua morte, deu nome ao espaço onde ele é realizado.
Pelo Autor na Praça já passaram centenas de convidados, entre nomes como Ignácio de Loyola Brandão, Eduardo Suplicy, Chico e Paulo Caruso, Juca Kfouri, Washington Olivetto, Lourenço Diaféria, Regina Echeverria, Frei Betto, Tatiana Belinky, Roberto Freire e até o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

Mesmo com tudo isso, o epicentro da feira é mesmo a sua pequena praça de alimentação, onde o pessoal se aglomera durante as tardes para disputar os pastéis da Patrícia, os lanches naturais da Zuleika, um caldinho de feijão, um “buraco-quente”, o acarajé da Luzia e, de saída, os doces do casal Maria Emília e Benê, servidos em copinhos plásticos com colherzinha de madeira. Tudo isso maravilhosamente acompanhado por “Canário e seu Regional”, inabalável grupo de chorinho que sábado sim outro também desfila, no meio da praça, clássicos de Pixinguinha. Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e outros ícones do choro.

No clima festeiro que toma conta da praça todas as semanas, o que mais chama a atenção é a variedade, não só de mercadorias, mas de gente. O mérito é de toda a região, que sempre foi meio “do contra” e nadou contra a corrente, conseguindo manter hoje a cada dia mais difícil qualidade de colocar o homem em contato com seu meio a céu aberto.

Nas palavras da própria associação que cuida da feira: “a Praça Benedito Calixto tem sido um exemplar raro desta resistência ao confinamento, ao medo, e tem conseguido se manter como um espaço privilegiado para o congraçamento de muitos grupos diferentes que possuem um objetivo comum: o do lazer saudável, o da busca das atividades sociais e culturais que lá ocorrem. É, ainda, um reflexo do que existe de belo nesta cidade de tantas questões e cores”.


Como é o trabalho de restauração de antiguidades?

Um texto que explica bem a carreira e o trabalho da minha família ao longo da história! Encontrei aqui, no Brasil Profissões.

O restaurador é o profissional que trabalha com a recuperação de obras de arte, monumentos e documentos históricos, tais como quadros, esculturas, vitrais, pinturas em paredes e tetos, em imagens e em todos os tipos de trabalhos artísticos que necessitem de revitalização ou recuperação. O trabalho do restaurador é muito importante, pode ser considerado artístico e, muitas vezes histórico, pois ele realiza intervenções na obra, sempre buscando devolvê-la o mais próximo possível das condições e aspecto original, para tal, o restaurador pesquisa sobre a época da produção da obra, os tipos de materiais, matérias-primas e técnicas utilizadas pelo autor, os tons das cores, etc. É responsabilidade do restaurador conservar e manter a integridade da obra restaurada, bem como de todo o seu valor histórico e cultural. Geralmente, em grandes obras de restauração de patrimônios históricos, esses profissionais trabalham em grupos, acompanhados de historiadores, arquitetos, químicos, biólogos entre outros profissionais e arqueólogos. Durante o trabalho de restauração, apesar dos tratamentos em sua maioria serem reversíveis, o restaurador deve trabalhar todos os detalhes minuciosamente.

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS NECESSÁRIAS?

Para ser um restaurador é necessário que o profissional entenda de história da arte, química, biologia e cultura geral, além de conhecer as técnicas e métodos dos principais artistas. Outras características interessantes são: sensibilidade gosto pela arte capacidade de observação paciência capacidade de organização minúcia detalhismo perfeccionismo gosto por história e cultura facilidade de trabalhar em equipe responsabilidade

QUAL A FORMAÇÃO NECESSÁRIA?

Existem muitas opções de cursos técnicos, de pós-graduação ou de especialização em restauração / conservação, como o “Curso de especialização em restauração e conservação de bens culturais móveis”, “Curso de especialização em restauração de monumentos e conjuntos históricos”, “Curso de especialização em conservação de obras em papel”, “Curso técnico em restauração e conservação de obras de arte”, “Pós-graduação em arquitetura com ênfase em preservação e restauração do patrimônio”, etc. Todos os cursos visam formar profissionais completos, prontos para atuar como restauradores, ou seja, que estejam aptos a reconhecer as características físicas da obra, analisá-las, pesquisá-las e elaborar o melhor tratamento de restauração.

Principais Atividades

reconhecer e avaliar a obra de arte examinar o estado de conservação examinar as possíveis causas de deterioração pesquisar as características originais da obra recolher a maior quantidade de informação possível, ou seja, pesquisar sobre a época da produção da obra, origem, estilo, sobre o autor e as técnicas utilizadas por ele, os tipos de matéria-prima e matérias utilizados, as tonalidades de cor, iconografia (significado da imagem), etc estabelecer necessidade de análise laboratorial, em conjunto com outros profissionais em grandes obras de restauração, realizar trabalho em grupo, juntamente com historiadores, arquitetos, arqueólogos e outros profissionais estabelecer o melhor critério de intervenção, formas de tratamento a ser utilizado, técnicas e materiais mais adequados aplicar as técnicas de restauração e conservação minuciosamente, e sempre utilizar materiais irreversíveis para que seja possível devolvê-la ao seu estado original quando necessário realizar o tratamento da obra documentar todas as etapas do tratamento. O estado de conservação inicial, exames e intervenções realizadas e após o tratamento finalizar, dar acabamento e avaliar a estado de conservação final preocupar-se com o ambiente em que a obra estará, evitando possíveis exposições que possam causar danos

ÁREAS DE ATUAÇÃO E ESPECIALIDADES

O patrimônio cultural é todo o bem que carrega em si a história de um povo, seus, costumes, crenças, idéias, tradições, etc, e sua conservação é muito importante para o enriquecimento da cultura. O restaurador trabalha para manter a integridade desse patrimônio, seja ele qualquer tipo de obra de arte, como por exemplo: pinturas em tela pinturas em paredes pinturas em tetos e afrescos desenhos esculturas em diversos tipos de materiais, como pedras, madeiras, etc monumentos e estátuas obras arquitetônicas antigas, como igrejas, capelas, casas, edifícios, templos, etc objetos litúrgicos e imagens documentos, publicações e mapas O processo de restauração envolve três conceitos que são facilmente confundidos, porém, em sua essência são muito diferentes: preservação: preservar significa resguardar, ou seja, não permitir que se deteriore e se relaciona com o meio em que se encontra o objeto conservação: conservar significa manter no mesmo estado original, e se relaciona com manter o aspecto físico restauração: restaurar significa restabelecer, ou seja, tentar resgatar os valores históricos e estéticos por meio de técnicas. A restauração, além de incluir conceitos de conservação, está com ela interligada.

MERCADO DE TRABALHO

O mercado de trabalho para os profissionais de restauração é amplo, mas não ainda quanto o necessário. O Brasil tem um acervo historiográfico e cultural muito grande, e grande parte dele não é tratado como deveria. O incentivo aos trabalhos de restauração e conservação é imprescindível para o resgate da identidade cultural de um povo, e deve ser feito não só pelo governo, como por empresas e instituições interessadas na parte social. Atualmente, o setor público e as ONGs (Organizações não-governamentais) são os setores que mais empregam.

CURIOSIDADES

A restauração das pinturas feitas por Michelangelo na Capela Sistina (no séc XVI), no final do século XX foi alvo de muitas críticas. Isso por que, desde 1960, já existiam trabalhos de restauração sendo feitos nas obras mais antigos, mas o projeto mais audacioso foi de Gianluigi Colalucci, que se iniciou em 1979, com a limpeza da parede do altar: o famoso “Juízo Final”. Durante esse período, de 1979 a 1994, a capela esteve fechada às visitações, que tinham uma média de 3.000.000 de pessoas por ano.

Se você se interessa em se tornar um restaurador, entre em contato conosco. Quem sabe pensamos em abrir um curso sobre isso ainda esse ano!


Onde encontrar antiguidades preciosas

Muita gente me pergunta como eu faço para encontrar as preciosidades que oferecemos aqui no Comércio Virtua.

Em primeiro lugar, trabalhar com o mesmo negócio por vários e vários anos faz com que você fique conhecido em algum cenário. O marketing boca a boca ainda é a melhor ferramenta, pelo menos no negócio das antiguidades. Muitas pessoas me procuram querendo restaurar objetos antigos e, quando entendem o trabalho que isso dá e o tempo que demora, acabam preferindo se livrar do objeto e receber uma compensação financeira mais rápida. Isso é ótimo, pois nos coloca ainda mais como referência nesse segmento, uma vez que as pessoas confiam no nosso feedback.

Mas mesmo assim, com essa credibilidade em alta, muitas vezes recebemos pedidos de peças que ainda não temos, ou que tivemos e já vendemos. Como um bom comerciante, eu não vou ficar esperando isso aparecer na minha mão. Preciso correr atrás, ir em busca do que vai satisfazer a minha clientela. Isso aumenta ainda mais a credibilidade do Comércio Virtua. E, como eu tenho me aventurado bastante nessa história de internet e mundo online, comecei a procurar algumas fontes para encontrar mais peças, mais material e aumentar o meu portfolio de ofertas!

Comecei procurando antiguidades na internet. Encontrei algumas ofertas no mercado livre, outros sites que vendiam produtos similares aos nossos – mas nunca com a mesma qualidade de restauro, isso é difícil de encontrar, modéstia à parte – mas acabei muitas vezes me deparando com gente um pouco ranzinza, que supervaloriza os seus produtos porque não entendem que o valor emocional que aquele produto tem só existe para aquela pessoa. Ninguém vai pagar mais caro em um relógio de parede porque ele era da vó da sua avó e foi passado de geração em geração sempre no trigésimo aniversário de cada uma das matriarcas e isso requeria sempre um ritual de passagem lindo, com velas e flores. Não! As pessoas não estão interessadas nessas histórias! Elas se interessam pelas histórias que podem contar com o novo antigo produto que estão comprando! Essa é a grande sacada que percebi quando comecei a trabalhar com antiguidades…

Mas muitos vendedors de antiguidades ainda não sacaram isso, e aí fica difícil encontrar peças boas e úteis com essas pessoas.

Até que finalmente me veio um clique!

Quem são as pessoas que possuem antiguidades boas e úteis em suas casas? Pessoas de famílias tradicionais, com bastante dinheiro, que já estão na parte alta da sociedade há algum tempo, algumas gerações. Essas pessoas sempre procuram não se destacar na internet, nas mídias sociais, mas elas também fazem negócios e procuram oportunidades. Pensei comigo: que tipo de oportunidades essas pessoas procuram?

Foi aí que juntei as peças. Essas pessoas geralmente são donas de imóveis. Imóveis caros, gigantes, belíssimos. Casas luxuosas à beira-mar, chácaras, sítios, enfim, propriedades exuberantes esculpidas por anos e anos. Resolvi fazer uma busca na internet atrás de sites e lugares que eu pudesse fazer uma busca de propriedades como essas para conhecê-las e me fazer de um possível cliente.

Assim que eu caí no site da BrazilExclusive. Os caras tem um portfolio de casas incríveis em quase todo o canto do Brasil, mas principalmente aqui na costa carioca, no sudeste. Entrei em contato com eles e marquei algumas visitas em algumas casas, pagando de bacana como quem quisesse comprar alguma daquelas magníficas propriedades.

E funcionou como um relógio. Todas as casas que visitei possuíam algum cômodo ou vários com peças clássicas, antiguidades raríssimas que estavam paradas há muito tempo, juntando poeira – haja vista que a casa estava desocupada para vender. Eu entrava dando uma de bacana, falando que estava procurando um imóvel daquele, terminava a conversa falando que queria algo um pouco mais assim ou mais assado e, no meio da conversa, inventava uma história sobre alguma peça que eu tinha visto. Pedia o contato do proprietário – que os corretores obviamente não me davam – e depois insistia para que eles falassem com eles a respeito da oferta que eu fazia sobre esse ou aquele móvel!

Batata!

Consegui bastante peças assim!

Mas depois de um tempo você fica meio fichado, e aí precisa procurar outros sites para fazer essa busca…

Legal, né?

Com um pouquinho de malícia e inteligência, a internet pode oferecer muito mais do que ela aparenta!

E só compartilho esse segredinho com vocês porque, sinceramente, acho que essa fórmula não funciona mais de tanto que eu a desgastei! hehehehe… pelo menos não com sites de casas luxuosas como o Brazil Exclusive. Se bem que sempre tem um ou outro que a gente ainda não encontrou…